Artigos

Um dia me perguntei: por que correr na natureza?

natureza
Foto: JVM Trail Run

Encarando montanhas, trilhas e escadas no inóspito 

No início era apenas uma troca de terreno, uma busca por um novo desafio, desempenho dentro do seguimento atletismo/corrida. Mas, com o passar do tempo e de inúmeros desafios superados, as provas e as vitórias tornaram esses eventos especiais. As corridas de montanha começaram a me proporcionar turismo, novas culinárias, costumes e amigos, além de uma gama de novidades.

De uns anos para cá, correr em montanha, trilhas ou estradas me faz voltar aos tempos de infância, quando no interior de Pernambuco, na cidade de Lajedo, as estradas e trilhas, junto com as árvores frutíferas, faziam dos meus momentos de lazer os mais prazerosos possíveis. Hoje, defino correr em montanhas, estradas, rio ou trilhas, reviver momentos mágicos de lazer/ brincadeiras, tendo a natureza como testemunha.

Quando corro nas montanhas, brinco de correr, mas sempre com muita eficiência.

É preciso tênis ou roupas especiais?

Por mais simples e natural que as trilhas nas montanhas pareçam ser, quando o assunto é corrida, equipamentos como tênis, mochilas de hidratação, meia, bonés e viseiras podem a garantir uma grande diferença na segurança e melhor desempenho dentro da prova.

O treinamento é igual ao treinamento em asfalto?

Dentro dos conceitos de treinamento existem diversos princípios, entre eles a continuidade, sobrecarga e especificidade.

Correr nas montanhas requer uma atenção diferenciada, pois se trata de um estímulo diferente em relação ao que rua (asfalto) proporciona. Os treinos de academia devem ter uma metodologia diferente com relação às cargas, repetições e aparelhos utilizados; treinos de velocidade devem buscar uma combinação de velocidade + carga + resistência, pois temos que enfatizar a especificidade.

Em geral, o corredor de rua que se aventura em corridas de montanhas, está com uma musculatura mais preparada, ou seja, chega mais inteiro muscularmente. Isso porque, em geral, ele tem poucas fibras quebradas por não sofrer com tantos terrenos irregulares.Os trail runners, por sua vez, sobem ou descem rampas, trilhas ou escadas em alta velocidade.

Mas, quando o corredor de rua chega aos 30/ 40 minutos de atividade, a falta de especificidade e adaptabilidade fala mais alto e inicia-se o processo de débito com a exaustão na prova ou pós prova e, consequentemente, a recuperação é mais lenta.

O corredor de montanha tem uma velocidade inferior ao corredor de rua devido à especificidade. No pós-prova de montanha, o corredor de rua leva mais tempo para se recuperar, enquanto nos montanheiros esse processo ocorre com mais eficiência e qualidade, devido à especificidade.

Que cuidados são necessários?

O cuidado mais importante para um corredor que vai encarar na natureza é buscar saber o que vai encontrar nesse tipo de terreno, que quase sempre é irregular e com clima passível de mudanças, como uma simples chuva. Quero sinalizar que as provas em montanha vão além de uma simples corrida de largada e chegada, podendo oferecer uma busca constante de diversos conhecimentos, desde materiais esportivos mais adequados, até um clima extremo. Por isso é sempre bom verificar com antecedência a previsão do tempo no dia da prova para levar o material esportivo adequado.

Onde é necessário mais cuidado: na subida ou na descida?

Essa questão sempre vem à tona quando ministro alguns cursos ou treinamentos e sempre digo que se trata de uma relação de amor e ódio. Quando estamos subindo, “a marvada” não termina, já quando descemos o vento na cara proporciona um prazer ímpar. Porém, quando colocamos a ciência/ fisiologia para interagir veremos que nas subidas ocorre uma exigência muscular forte, mas você sempre tem o controle do seu ritmo, podendo trotar, marchar, ou andar por conta do cansaço (já existem técnicas que melhoram a eficiência para esses momentos).

Quando estamos em uma descida longa ou forte, a musculatura não entende o que você quer para aquele trecho, então o ideal é frear tomando cuidado para não cair, ou ainda adotar uma velocidade que priorize a flutuação em detrimento da velocidade. Quando o aluno/ atleta não definiu isso antes, pode ocorrer uma confusão em seu sistema nervoso central, provocando uma agressão muscular que ficará mais perceptível no pós-prova. Em resumo, o que lhe deixa com fortes dores musculares não é a “marvada” da subida, mas sim as descidas, devido ao impacto constante e a falta de uma melhor estratégia para a prova.

Quando posso participar de uma prova?

Para participar de uma prova em montanha o guerreiro precisará vivenciar em alguns treinos o que possivelmente encontrará nas montanhas, como trilha, estrada, rios, riachos, aclives, declives, entre outras diversidades da natureza. Corrida em montanha não significa correr o tempo todo e nem todos os guerreiros têm esse foco, pois a paisagem é tão bela que é natural desacelerar para curtir o visual. O que você precisa saber é que está indo para uma corrida de montanha na natureza e não para uma corrida de rua.

A três máximas: dicas para quem quer correr em montanha

– Ande quando tiver que andar

– Trote quando for mais eficiente

– Corra quando puder

Bons treinos!

Sobre o autor: José Virginio de Morais diretor técnico da JVM Trail Run Licenciado e Bacharel em Educação Física – FMU
CREF: 021211-G/SP
Téc. IAAF Especialista em Treinamento Desportivo

Tricampeão do Circuito Brasileiro (2008, 2009 e 2010)
Tricampeão da Copa Paulista de Corridas em Montanha (2009, 2010 e 2011)
Campeão do Circuito Paranaense de Montanha 2009
4 x Prata no K42 Bombinhas
3º e 5º lugares do K42 Patagônia 2009 e 2010 respectivamente
2 x Prata no XTerra Ilhabela (50km) 2011-2012
BiCampeão do Desafio das Serras (80km) 2012-2013
2 x Prata no Cruce de Los Andes 2012-2013
3º Lugar no Cruce de Los Andes 2014
Campeão da Meia Maratona da Disney 2012.
Melhor Brasileiro na Uber Rock 50k – Vail – 2013 (8º lugar)
Melhor Brasileiro na OCC 53k – Chamonix – 2014 (16º lugar)
Campeão do XTerra Ilhabela e do XTerra Búzios (50km) 2014
Campeão do Circuito XTerra 2014

Instagram: @virgniojvm


Sobre o Autor

Equipe Brasil Run

Adicionar comentário

Clique aqui para comentar o post

Newsletter

Publicidade